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Tamanduá-bandeira: características, habitat, alimentação e reprodução

por Otávio Vieira

O Tamanduá-bandeira também tem por nome vulgar tamanduá-açu, iurumi, papa-formigas-gigante, jurumim, tamanduá-cavalo e urso-formigueiro-gigante.

Este seria um mamífero xenartro que está presente tanto na América do Sul, quanto na América Central.

Como diferenciais, é a maior espécie dentre as 4 de tamanduás e juntamente com as preguiças, está incluída na ordem Pilosa.

O seu hábito é terrestre e vale esclarecer uma dúvida:

Porque o Tamanduá é chamado de bandeira?

Este é o principal nome vulgar porque a cauda do animal tem o formato de uma bandeira, entenda mais informações a seguir:

Classificação:

  • Nome científico – Myrmecophaga tridactyla;
  • Família – Myrmecophagidae.

tamanduá-bandeira correndo

Quais as características do Tamanduá-bandeira?

Este é o maior representante de sua família, visto que o macho tem de 1,8 m a 2,1 m de comprimento total, além de pesar 41 kg.

A fêmea é menor porque pesa somente 39 kg, sendo a principal característica para diferenciar os sexos.

Isso ocorre porque pênis e testículos são retraídos na cavidade pélvica, entre o reto e a bexiga urinária (uma condição denominada criptorquidia), ou seja, o dimorfismo sexual não é evidente.

Todos os exemplares têm um crânio alongado que chega a medir 30 cm, sendo que as orelhas e os olhos são pequenos.

A audição e a visão da espécie são precárias, ao mesmo tempo em que o olfato é desenvolvido, quando comparamos com o dos humanos.

Assim, o olfato do Tamanduá é 40 vezes mais apurado.

Por outro lado, a cauda e dorso podem ter as cores de marrom ou preto, tal como os membros posteriores são negros e os anteriores são claros.

Há faixas pretas nos pulsos e duas listras brancas na parte dos ombros, aparecendo outra faixa diagonal ampla que tem a cor preta.

Esta faixa diagonal é uma característica que varia conforme o exemplar, por isso, pode servir para a identificação.

Os pelos do animal são longos, em especial na parte da cauda, dando uma impressão de ser maior.

Além disso, na parte das costas há um tipo de crina, a musculatura do pescoço é desenvolvida e existe uma corcunda atrás do pescoço.

Tem cinco dedos, mas os 4 dedos que ficam nas patas anteriores contam com garras.

Dentre estes 4 dedos, 3 têm um diferencial: garras alongadas, fazendo com a caminhada seja feita com os dedos dos pés.

Este comportamento também é visto nos chimpanzés e gorilas.

Já os membros posteriores, contam com garras curtas.

tamandua-bandeira serra da canastra

Imagem Lester Scalon

Reprodução do Tamanduá-bandeira

A reprodução do Tamanduá-bandeira em cativeiro pode ocorrer durante todo o ano.

De acordo com dados de zoológicos do nosso país, entre os anos de 1990 e 2000, a taxa de mortalidade foi de 47%.

Estes dados comprovam a alta taxa de mortalidade em cativeiro, tendo em vista que os filhotes morrem nas primeiras 24 horas de vida.

Com relação ao processo de reprodução e cortejamento, saiba que o macho segue a fêmea e a cheira, assim como se alimenta do mesmo cupinzeiro ou formigueiro.

Após a cópula, a fêmea gera o filhote em até 184 dias, que nasce com 1,4 kg.

Alguns estudos indicam que os tamanduás nascem com os olhos fechados, abrindo somente depois de 6 dias de vida.

Inclusive, eles comem alimentos sólidos somente depois de 3 meses.

Além disso, o cuidado da mãe é grande, tendo em vista que ela protege o filhote até os 10 meses de vida e o carrega nas costas para evitar o ataque de predadores.

Esta estratégia de manter o filhote nas costas faz com que ele fique camuflado devido à pelagem da mãe.

Vale destacar que a mãe tem o costume de lamber o filhote, em especial a língua e o focinho.

Por fim, eles ficam maduros entre 2,5 e 4 anos de idade.

tamanduá

Alimentação

O Tamanduá-bandeira se alimenta de cupins e formigas, por isso, a espécie tem uma anatomia peculiar e especializada na exploração destes recursos.

Embora pareça uma fonte de alimento precária, os tamanduás contam com abundância porque poucas espécies de mamíferos comem o mesmo alimento.

Dessa forma, a mandíbula do animal tem pouca mobilidade e ele não tem dentes.

Portanto, antes que o tamanduá-açu engula os insetos, eles são esmagados no palato.

O estômago conta com paredes duras e faz algumas contrações para moer os insetos que foram ingeridos.

Por fim, para facilitar a digestão, o animal também come algumas porções de areia e de terra.

Um ponto interessante é que o ácido das presas que foram comidas, também é usado para fazer a digestão porque o tamanduá não é capaz de produzir o seu próprio.

Curiosidades

Como curiosidade, é interessante esclarecer a seguinte dúvida sobre o Tamanduá-bandeira:

Porque o tamanduá está ameaçado de extinção?

De acordo com as informações da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), a espécie estávulnerável“.

Isso significa que os indivíduos têm uma distribuição ampla, porém algumas populações foram extintas.

Por exemplo, há tamanduás em várias unidades de conservação como o Parque Nacional da Serra da Canastra, no Brasil, e o Parque Nacional das Emas.

Apesar disso, as populações que viviam na Costa Rica, Uruguai, Guatemala, Belize e no sul do Brasil, foram extintas, comprovando o estado de vulnerabilidade.

Falando em especial sobre o nosso país, a situação do tamanduá-açu é grave em alguns locais.

Nas regiões de Santa Catarina, no Rio de Janeiro e Espírito Santo, o animal foi extinto.

No Rio Grande do Sul está “criticamente em perigo”.

Dessa forma, há poucos estudos que buscam estimar o número de indivíduos vivos da espécie, o que dificulta a conservação.

Como resultado, está em todas as listas de animais em risco de extinção nos países em que é natural.

Além disso, no apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), é necessário a atenção para evitar que a espécie entre em processo de extinção.

Com o intuito de solucionar tais questões, há programas de reprodução em cativeiro no Brasil e nos Estados Unidos.

Um bom exemplo seria o Zoológico de São Paulo que tem como um dos objetivos preservar esta espécie.

tamandua bandeira myrmecophaga

Onde encontrar o Tamanduá-bandeira

O Tamanduá-bandeira vive em diversos ambientes, desde os locais savânicos e campos abertos, até as florestas tropicais chuvosas.

Assim, o animal depende de locais florestados a fim de compensar a sua pequena habilidade termorregulatória com a ajuda da sombra das árvores.

Em geral, está desde Honduras, que fica na América Central, até as regiões do Chaco boliviano, Paraguai, Brasil e Argentina.

Por isso, vale falar que os indivíduos não habitam a cordilheira dos Andes, pois na parte oeste, onde está o Equador, ainda é necessário que ocorra a confirmação de populações.

Conforme alguns registros históricos, a espécie também vivia em Punta Gorda, na Baía de Honduras, que seria o limite norte de sua distribuição.

Já o limite sul era de Santiago del Estero, que fica na Argentina.

Ainda de acordo com a história, este tipo de tamanduá também viveu em latitudes mais ao norte. Houve a confirmação por meio de um fóssil no noroeste de Sonora, no México.

Por fim, foi extinto em alguns locais da América Central como, por exemplo, Belize e Guatemala, assim como ocorre apenas em lugares isolados do Panamá.

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Informações sobre o Tamanduá-bandeira no Wikipédia

Veja também: Araracanga: reprodução, habitat e características dessa bela ave

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