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Snakehead ou Peixe Cabeça-de-cobra demônio ou vítima?

Conheça mais sobre a espécie

por Otávio Vieira

Snakehead, talvez seja no mundo inteiro o peixe mais mal visto, mais temido. E na verdade não tem nada, do que se diz por ai.

Primeiro vamos entender quem são os Snakehead e nesse post vou falar em especial de uma espécie deles.

Os Snakehead fazem parte da família Channidae. Essa família são 42 espécies divididas em dois gêneros, um gênero africano, com três espécies que o gênero Parachanna que são elas:

  • Parachanna insignis;
  • Parachanna fayumesnsis;
  • e o Parachanna obuscura.

No entanto, as outras 39 espécies são asiáticas. Se engana quem acha que todos os Snakehead são gigantes, destruidores de meio ambiente. Não, a maior parte das espécies Snakehead são peixes de pequeno para médio porte, em torno de 20 a 30 cm no máximo.

E boa parte das espécies vivem em regiões com clima muito específico, ou seja, são animais de águas mais frias. Não se dão bem em qualquer ambiente, dessa forma, não tem potencial invasor. Aliás, a imensa maioria das espécies não tem potencial invasor, algumas são inclusive bichos bem delicados. No entanto, vivem em riacho de matas com águas geladas e se alimentam geralmente de invertebrados. Enquanto, poucas espécies que são realmente piscívoras, que comem peixes.

Introduções de Snakehead

E o porque de todos os comentários com relação ao Snakehead? Houve um caso muito bem documentado de introdução em especial de duas espécies de Snakehead nos Estados Unidos: o Channa Marulius e o Channa argus.

Essas duas espécies acabaram se estabelecendo lá e causaram realmente um desequilíbrio ambiental muito grande na região.

Só que as pessoas não entendem que o ambiente nos Estados Unidos o meio ambiente, o eco sistema aquático ali evoluiu meio que isolado, existem muitas espécies ali, que são quase que fósseis vivos, peixes que ficam isolados naquele lugar.

Nesse meio ambiente não tem uma grande competição, como existe por exemplo na América do Sul na Bacia Amazônica.

Um Snakehead se fosse solto aqui no Brasil, jamais faria estrago que foi feito lá. Isso, porque aqui existem outras espécies que ocupariam o mesmo nicho, que iriam competir com ele.

Então, muito provavelmente ele nem acabaria se estabelecendo, devido essa competição por predadores locais. Estados Unidos é um caso à parte, qualquer coisa que você jogar lá, vai se estabelecer e vai dar dor de cabeça.

Existem várias espécies que acontecera isso, não é uma nem duas não. Se bobear nos rios da Flórida se fizer um recenseamento, de cada 10 espécies, acho que 7 são espécies introduzidas. Então é um ambiente realmente fácil para ser invadido para uma espécie de fora a se estabelecer ali.

Características do Snakehead

Os Snakehead, de todas essas espécies, tem uma variedade muito grande de tamanho, e de cores também. Você encontra animais com uma coloração mais apagada como Channa lucius, o próprio Channa marulius, os Channa marulioides mais comuns, que não são tão chamativos assim. Além disso, animais que tem um colorido fantástico, animais lindo, de cor berrante como Channa pulchra, o Channa bleheri, Channa barca e o Channa aurantimaculata entre outros. Animais realmente lindíssimo!

Snakehead tem uma forte adaptação que facilita a sua vida no meio ambiente, que é a respiração aérea. Os Snakehead respiram ar atmosférico através de um órgão praticamente igual aos anabantídeos com labirinto, como por exemplo, os peixes bettas.

Peixe Betta: Dicas sobre como cuidar dessa espécie de peixe de aquário

Com isso, eles conseguem viver em águas com baixíssimo nível de oxigênio. Nesse sentido, podem transpor um corpo hídrico para outro. Ou seja, se ele tiver em um lago que água esteja secando, ele pode ir meio que caminhando pela vegetação até um lago próximo.

Lógico, se estiver muito longe, ele acaba morrendo por ressecação, não é eterno que ele pode ficar fora da água.

Mas isso ajuda bastante o bicho, na época da chuva formam-se lagos em volta do rio, na época da seca ele consegue voltar para o rio, transpondo aí esses pequenos intervalos de terra.

Snakehead Chann micropeltes

Vamos abordar nesse post mais especificamente sobre o Channa micropeltes. De fato, é a segunda maior espécie de Snakehead, provavelmente a mais pesada. Sendo um bicho mais encorpado e que tem a fama de ser o mais terrível de todos, os mais destruidores.

O micropeltes é das poucas espécies de Snakehead, se não única que é exclusivamente piscívoras, ele só come peixe.

Para quem ver os vídeos desses peixes no youtube, procurando por Giant Snakehead, vão ver, vários vídeos de micropeltes destruindo peixes, cortando peixes ao meio.

Micropeltes no Brasil

Entretanto, o que você não vê por trás dos vídeos, que os micropeltes a muito tempo atrás, coisa de vinte e poucos anos, você comprava micropeltes até no açougue, de tão comum que era esse peixe aqui no Brasil.

Peixe extremamente barato, algo entre vinte a trinta reais nos dias de hoje. Aliás, encontrado em grande quantidade. Olha que curioso, há 20 anos atrás não tinha essa preocupação toda. Então, você conhece algum caso Snakehead no Brasil que foi introduzido? Pois é, entrou tanto micropeltes e sumiram todos, nenhum foi solto, não se reproduziram. Então, a primeira coisa, esse peixe não é rústico. Ele é um peixe relativamente delicado, pois, se você soltar eles por aí, eles não sobrevivem. Eles precisam de um ambiente com uma qualidade de água diferente.

Então, aí, já dá uma dificultada. Ele é um animal que só come peixe e é de clima tropical e precisa de água mais quente.

Channa argus

Dessa forma, são animais que não são tão fáceis de se adaptarem. Agora Channa argus que é uma espécie com potencial muito grande. Aliás, tolera um range de temperatura enorme, ele sobrevive aí de 4 a 30 graus. Ou seja, consegue viver praticamente em qualquer corpo d’água de todo mundo. Se alimenta de peixes, anfíbios, de répteis, insetos, de crustáceos, o que cair na água vira comida. Portanto, tem facilidade muito grande de chegar em um ambiente e encontrar condições favoráveis para se estabelecer ali.

Channa striata

Outra espécie que tem um grande número de introduções é Channa striata, uma espécie menor um pouquinho e que têm os mesmos hábitos do Channa argus. Aliás, também tem uma amplitude térmica grande de sobrevivência. Não tão grande quanto o argus, mas que também é grande, além de comer qualquer coisa. Utilizado como um peixe de alimento na pesca comercial, na região onde ele ocorre.

O micropeltes é bicho que fica na natureza com 1,00 metro, falam aí em 1,20 metros contra 1,80 metros Channa marulius.

Criação em cativeiro de Snakehead

Em cativeiro você tem duas formas de criar esse peixe. Quando eu peguei os meus primeiros, tinha um grupo de seis deles, mas todos foram criados desde pequeno sozinhos, comendo somente alimento vivo. O que aconteceu? Quando esses peixes cresceram, eu não conseguia colocar nada com eles, porque desenvolveram comportamento de piranhas, tudo que eu jogava no aquário eles destroçavam. O único peixe que eu joguei lá e que eles não se meteu a besta foi o peixe Jejum (Hoplerythrinus unitaeniatus) que foi uma coisa bem curiosa, até o chamam de Snakehead brasileiro. Quando coloquei esse peixe, o Snakehead olhou para ele e logo tomou uma dentada, daí para frente ninguém mexeu com ele.

Entretanto, se você pega seu micropeltes, cria ele desde pequenininho com outros peixes juntos. Acostumado sempre com alimento morto, ele é um peixe como qualquer outro no seu aquário. O comportamento desse peixe é semelhante a uma traíra. O ambiente que ele ocupa é semelhante ao ambiente que as nossas traíras ocupam aqui na América do Sul.

Então, o que eu vejo do Channa micropeltes, é que, a forma como ele é criado, com é alimentado, tem interferência muito grande no comportamento depois de adulto.

Inclusive se vocês repararem nos vídeo de Snakehead estão bem magro, ou seja, também foram deixados alguns dias sem comer, isso,  para atiçar ainda mais sua agressividade.

Maiores números de introduções de Sanakehead

Qual é a espécie de Snakehead que têm maior número de introduções? É a Channa striata, com 13 introduções em todo mundo.

Dessa forma, das 13 introduções em 8 ele se estabeleceu e em 2 apenas foi realmente reportado efeitos negativos causados ao meio ambiente.

Muito bem, como já havia dito nas duas maiores espécies Snakehead, o Channa marulius introduzido em um só lugar, que é nos Estados Unidos na região da Flórida.

O Channa micropeltes foi introduzido em 4 lugares e olha que interessante, colocaram nos Estados Unidos esse bicho e ele não conseguiu se estabelecer. Então, olha só, o bicho mais terrível a praga das pragas o demônio supremo não conseguiu estabelecer no lugar, em que qualquer coisa que você joga lá, consegue.

E o único que ele conseguiu estabelecer, foi Singapura com reporte de efeitos ecológicos negativos.

Comparativo de introdução com o Tucunaré

Para se ter uma ideia sobre o sucesso de introdução, vamos comparar com o nosso Tucunaré (Cichla ocellaris) tem 10 introduções mundo afora. Embora, tem só um caso onde ele foi introduzido e provavelmente não se estabeleceu que foi no Quênia. No resto ele se estabeleceu população em todos os lugares onde foi introduzido.

Então, se você analisar do ponto de vista do sucesso de introdução, o Tucunaré é uma espécie com potencial invasor muito maior do que o Snakehead. Porque a capacidade dele de se estabelecer no ambiente novo é muito grande.

Mas é claro, quando se fala de introdução é só predador que causa impacto ambiental, por isso, que Snakehead é uma praga e tem que ser eliminado.

Comparativo de introdução com o Guppy

Então, vamos fazer outra comparação com o Poecilia reticulata, o famoso Guppy. Foi introduzido em 64 lugares, isso sim, com fontes científicas. Na sua imensa maioria estabeleceu população, com vários repórteres de efeitos negativos causados no ambiente onde ele foi introduzido.

Que coisa, um guaru capaz causar efeitos negativos no ambiente que ele foi introduzido!

E não para por aí não, vamos a mais uma comparação. Agora com o Carassius auratus que foi introduzido em 88 lugares, também na imensa maioria, se estabeleceu e em vários casos existem apontamento para impacto ambiental causado onde ele foi introduzido.

Conclusão

Então quer dizer que o Snakehead é o demônio dos rios? Ele pode acabar com ecossistema mundial? Será mesmo?

Será que não é preciso parar de falar bobagens, quando escutamos algo na internet?  Ou seja,  dá uma checada nas informações para ver se está falando a verdade sobre aquilo?

Fica aí a dica para vocês, para quem está pensando em criar Snakehead. Principalmente, os micropeltes, recomendo um aquário padrão para jumbos com 2 metros de comprimento por 0,70 metros de largura por 0,70 metros de altura. Isso, porque o bicho fica grande. A temperatura deve ser entre 27 a 30 graus, preferencialmente. O PH próximo do neutro, então 6.8 a 7.2 aí o bicho fica legal. Alimentação sempre variada, filé de peixe, peixinho vivos de vez em quando, só evita muito alimento vivo, para não estimular um comportamento mais agressivo.

A forma como você cria o seu peixe quando pequeno, vai fazer a diferença no que ele vai ser quando adulto. No mais, não é uma espécie das mais rústicas, ele é relativamente delicado em especial para fraturas de coluna.

Enfim, gostou das informações? Então, deixe seu comentário logo abaixo, ele é muito importante!

Informações sobre Snakehead no Wikipédia

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1 comentário

Jackson 7 de fevereiro de 2022 - 5:57

Muito interessante e bom o texto sobre os snakeheads. Tenho 2 no Aquário que montei, aqui onde moro, é uma espécie normal (apesar que não sei exatamente qual espécie são os meus). Quando montar um próximo aquário, quero colocar dois dwarf snakeheads (channa ornatippinnis ou channa bleheri SP assam). Uma pergunta, os snakeheads tem algum “parentesco” com as traíras?

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